segunda-feira, 9 de junho de 2008

PACO-PACO, LEMBRANÇAS...

Submeto ao rigoroso crivo dos amigos alguns versos, sabedor de que, talvez, tenha superado a deficiência de minhas histórias da adolescência - época em tinha a intenção, fracassada por sinal, de superar "paco-paco de tróia", de autoria do grande amigo Guto.

Passou um cometa em meu quintal


Passou um cometa em meu quintal.
E tinha um brilho tal
que iluminou por longas horas
o meu jardim de coisas.

E esse cometa descomunal,
de tão grande,
de tão belo,
fez renascer todo o meu quintal.

As minhas rosas,
os meus lírios e as margaridas,
a minha decência e a minha dignidade,
reavivaram, enfim, para o mundo.

E neste alvorecer profundo,
adentrei em meu amanhã
que havia ontem mesmo fugido de mim.

Desde então desobedeço
as vaidades e as precipitações
de uma desvalida humanidade.

Eu vi e ainda vejo tudo isso acontecer...

Eu vi e vejo os meus luminosos olhos
Juntar os meus pedaços
Que a vida teima em separar.


04/05/2007
RICARDO F. BAROUCH

4 comentários:

Ricardo Barouch disse...

O Guto, se tiver, poderia publicar aqui o texto do "paco-paco"...

Guto disse...

Nossa.... "paco - paco de tróia", boas lembranças hein Barba..... Vida sem preocupações, onde a gente inventava o que fazer. Eu não tenho mais.... infelizmente. A intenção naquela época, era que cada um escrevesse uma parte do enredo. Muito legal, boa lembrança e parabéns por seus poemas! Abraço

Ricardo Barouch disse...

Pois é, naquela época a gente já fazia literatura...Hoje, as necessidades da vida adulta tem abafado toda aquela construção onírica da vida. Mas sempre há tempo para mudar os rumos. Acho que estamos tentando. abraço

Ricardo Barouch disse...

a propósito, Guto, no dia em que você apareceu com o primeiro rascunho, havia cobrado para que nós fizessemos um trecho da história. No dia seguinte, na Escola Bárbara Heliodora, eu apresentei para o Caique e para o David o meu capítulo que faria (FARIA!!!) parte do "Paco-paco". Os dois, insatisfeitos com o que eu acabara de escrever, rasgaram, sem dó nem piedade, o meu manuscrito. Foi dose. Mas acho que eles tinham razão: era ruim demais. Destoava do conjunto. Lembro-me, a propósito, que eu era, na sua história, o caçador de cometas. Por isso, o poema que apresentei agora é sugestivo. abraço de novo